De onde vem o dado
A fonte é o arquivo de Dados Abertos de Medicamentos publicado pela própria Anvisa. É um CSV com um registro por linha — cada medicamento ou notificação que já passou pela agência, não uma amostra.
O dicionário de campos que a Anvisa publica junto está desatualizado: descreve 10 colunas, mas o arquivo real tem 11. A coluna a mais — SITUACAO_REGISTRO — é o que permite saber se um registro está ativo ou inativo hoje.
Com que frequência atualiza
Um robô tenta baixar o arquivo todo dia 5 e todo dia 12 de cada mês. Duas tentativas porque a Anvisa não publica em hora fixa: se o dia 5 pegar o arquivo antigo ainda, o hash do conteúdo bate com o da carga anterior, nada é processado, e o dia 12 tenta de novo. Não há atualização em tempo real — o dado muda no ritmo em que a Anvisa publica, não no ritmo em que alguém visita o site.
De onde vem o preço
Quando a página de um medicamento mostra preço, a fonte é a lista aberta da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), publicada mensalmente. Hoje cobrimos 8.982 medicamentos — 25.990 apresentações (dose + embalagem), cada uma com seu próprio preço.
A CMED só regula preço de quem tem registro: notificados (baixo risco, dinamizados, gases medicinais) não entram nessa lista, porque não passam pelo regime que a CMED regula.
Cada apresentação vem com ~20 valores de preço diferentes na fonte — Preço Fábrica e Preço Máximo ao Consumidor, cada um numa alíquota de ICMS distinta, porque o imposto varia por estado. Publicamos dois números, não vinte: o PF sem impostos (o único que não muda de estado pra estado) e a faixa de PMC — do menor ao maior valor entre as alíquotas publicadas. Escolher uma alíquota só e apresentar como “o preço” seria inventar uma precisão que a fonte não garante; o que você paga de fato depende de onde você está.
Operadoras de plano de saúde
As páginas de operadora vêm de uma base separada da Anvisa: a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) publica o cadastro de operadoras e as penalidades que ela própria aplica. É outro schema, outro grafo — não cruza com os dados de medicamento.
1.115 operadoras estão ativas, 3.067 constam como canceladas — mesma lógica do acervo de medicamentos: histórico completo, não só o que vale hoje. Descredenciamento pode ser pedido voluntário da própria operadora, não necessariamente problema; por isso mostramos o motivo quando a fonte informa, sem rotular como “irregularidade”.
As penalidades (111.438 processos) cobrem só as sanções da própria ANS contra operadoras — não inclui ações judiciais de beneficiários nem reclamações individuais. 446 linhas da fonte vêm sem o código que identifica a operadora; ficam de fora da contagem por operadora, mas não foram descartadas em silêncio — é uma lacuna documentada da própria ANS.
O que a base representa — e o que ela não é
A base traz o acervo ativo e inativo desde 1976. Não é um retrato do que vale hoje: dos 39.757 medicamentos e notificações que temos, 14.317 estão ativos e 25.440 estão inativos. Mais de 60% da base é histórico — coisa que já passou pela Anvisa em algum momento, não coisa que está circulando agora.
Isso é o que permite publicar a série de aprovações completa desde a criação da lei 6.360 (1976) já na primeira carga, em vez de esperar meses de comparação acumulada. Mas significa também que qualquer número desta base sem o filtro de situação junto — só “quantos medicamentos existem” — está contando junto coisa que não está mais em circulação.
Registro e notificação são regimes diferentes
Nem todo item da base tem número de registro. Produtos de baixo risco, dinamizados (homeopáticos), gases medicinais e alguns outros passam por notificação, não por registro — e notificação não gera número.
No arquivo bruto que a Anvisa publica, cerca de 25% das linhas não têm número de registro. No acervo publicado neste site — depois de remover duplicatas e linhas idênticas repetidas na origem — essa proporção cai pra 17,8% (7.091 de 39.757). São medidas de coisas diferentes: a primeira descreve o arquivo que chega da Anvisa, a segunda descreve o que está na tela. Nas páginas de medicamento sem número, mostramos “produto notificado” em vez de deixar o campo em branco.
Como o “número” de cada registro é calculado
Para quem tem registro, o número é o próprio NUMERO_REGISTRO_PRODUTO da Anvisa — não inventamos nada. Para quem não tem (notificados), usamos uma chave interna calculada a partir de processo, nome normalizado, CNPJ e data de finalização, só pra conseguir identificar a mesma linha de um mês para o outro.
Essa chave tem um limite conhecido: cerca de 223 combinações de notificados são idênticas na origem — mesmo processo, mesmo nome, mesmo CNPJ, mesma data — e por isso colapsam numa única linha aqui. Não é erro nosso e não tem conserto possível sem inventar um dado que a Anvisa não forneceu.
O link para a bula
Nas páginas de medicamento com número de registro, “ver bula na Anvisa” leva direto pro Bulário Eletrônico oficial, já com o número preenchido. Não hospedamos nem processamos a bula em si — ela só existe como PDF no sistema da Anvisa, atrás de uma proteção que exige navegação real (não dá pra baixar em lote de forma confiável). O link é a forma honesta de entregar esse conteúdo sem fingir que temos um dado estruturado que não temos.
O que a nossa base não sabe
- Apresentação e preço de quem não tem registro na CMED — a lista de preços cobre 8.982 dos medicamentos com registro, não todos. Quem não aparece nela — inclusive todo notificado — fica sem essa seção na página.
- Encoding quebrado em 3.308 nomes de produto — a Anvisa publica esses nomes com
?no lugar de acentos ou caracteres especiais. O problema está na origem, não na nossa leitura, e não tentamos adivinhar o caractere certo. - Categoria regulatória em parte das linhas — quando a Anvisa não informa a categoria, ou informa uma grafia que não reconhecemos, o campo fica vazio em vez de receber um palpite.
- Datas antes de 1976 — a série de aprovações começa em 1976, ano da lei 6.360. Datas de finalização de processo anteriores a isso existem no arquivo bruto (algumas claramente erradas, como ano “1” ou “25”) e são descartadas, não corrigidas.
Saída da base não é cancelamento
Quando um registro deixa de aparecer numa carga mensal, a página de movimentação chama isso de “deixou de constar na base” — nunca de “cancelado” ou “proibido”. Pode ser caducidade do registro, correção de um erro de publicação da própria Anvisa, ou de fato um cancelamento — a nossa fonte não distingue esses casos, e por isso nós também não afirmamos qual foi.